Hoje apetece-me ouvi-lo..


Pedro Abrunhosa - Eu Não Sei Quem Te Perdeu

Porque hoje ele vai actuar no Coliseu de Lisboa (e eu gostava muito de lá estar).
Porque era o meu cantor preferido quando era pequena, chamava-lhe Pedro Adivinhosa (não conseguia dizer bem os R's então não os dizia e trocava as palavras, sei lá eu como).
E porque gosto, muito mesmo.

Levanta o olhar. Tanto caminho até o horizonte e, depois, tanto caminho. Há sombras no verão que nos esperam. Há rios que correm ao nosso lado. Há a natureza inteira, connosco. Há cidades, medidas e traçadas em mapas, iremos atravessá-las. Seremos capazes de agradecer à chuva. Seremos capazes de sorrisos incandescentes, marcaremos desencontros com a cegueira da noite.

Levanta o olhar. Tantas possibilidades, cento e oitenta graus de possibilidades. Seremos capazes de aprender com cada passo, com a companhia das nuvens, com o inverno. Os lugares onde estivermos saberão diluir-se na nossa pele, respiraremos o silêncio dos objectos parados, seremos pagos em paisagem.

Nada termina. Levamos tudo connosco. Carregamos malas invisíveis e cheias. Daqui a muito tempo, havemos de abri-las e estender o que acumulámos num lugar que escolhermos, tranquilo. Contemplaremos o nosso espólio e, de olhar limpo, sentiremos com justiça o tamanha do nosso rasto.

José Luís Peixoto

Amor burguês

Havemos de engordar juntos.

Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a barra que diz "cliente seguinte", estão ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os iogurtes, têm medo de pagar o fiambre daquele que está atrás. Enquanto não marcam essa divisão, não descansam. Depois, não descansam também, inventam outras maneiras de distrair-se. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos.

As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.

É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.

Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.

As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.

Havemos de engordar juntos.

Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.

Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.

E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.

Nós acreditávamos.

Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.


José Luís Peixoto, in revista Visão (Janeiro, 2012)

Saudades..


David Fonseca - I See The World Through You

De outros tempos.
Tempos simples.
Templos felizes.
Estes já não voltam, mas também não vão partir, fazem parte de mim.
Para sempre.

Blogger award

A blogger helenantunes do Pretty Precious Things ofereceu-me este prémio.
Muito obrigada! :)
Cá vão as respostas.


1. Nome da minha música favorita? 
Sempre tive dificuldade em escolher uma só música preferida.. Até que descobri a Fix You dos Coldplay. Esta música diz-me muito e faz-me sempre sentir melhor. Um dos momentos mais especiais que vivi foi ouvi-la ao vivo no Optimus Alive :)

2. Nome da minha sobremesa favorita? 
Fondue de chocolate (o chocolate é a minha perdição!)

3. O que me tira do sério?
Faltas de respeito e hipocrisia

4. Quando estou chateada?
Tenho de desabafar com alguém senão fico assim o dia todo

5. Qual o meu animal de estimação favorito?
O meu canário Óscar, claro! Sei que isto deve parecer estranho (mas se o conhecessem veriam que é verdade!), para um pássaro o meu tem bastante personalidade e, às vezes, chego a duvidar se não terá algumas crises de identidade (quando se arma em Bob, o construtor, quando se coça como um cão ou quando faz a sua dança estranha) :P

6. Preto ou branco?
Branco

7. Maior medo?
Perder as pessoas que me são mais queridas

8. Atitude quotidiana? 
Ver o lado positivo das coisas

9. O que é perfeito?
Reencontrar pessoas que não vejo há muito tempo e ficar horas a pôr a conversa toda em dia

10. Culpa?
Ter tratado melhor quem não merecia do que quem merece tudo

Sete factos aleatórios sobre mim:

1. Não passo um dia sem comer chocolate
2. Adoro beber chá, seja inverno, seja verão
3. O meu sonho é ter uma biblioteca em casa
4. Gosto de me perder por Lisboa, sozinha ou acompanhada, e descobrir os seus encantos e recantos 
5. Adoro o sotaque britânico
6. Tirei a carta há coisa de um mês
7. Não sei andar de bicicleta

A quem é que ofereço este prémio?


Regras?

1. mandar o link para a pessoa que nos ofereceu 
2. preencher o formulário com as perguntas
3. oferecer a 10 blogs e informá-los por comentário ou e-mail
4. partilhar 7 pensamentos aleatórios sobre nós

Não gosto..


Quando tenho um almoço de família e não posso ir porque tenho um trabalho para entregar e um exame no dia seguinte. 
Custa ainda mais quando a filha do meu padrinho (de dois anos e meio), que não vejo muitas vezes, quando lhe perguntam quem é que quer ver, diz que quer ver a Ita..
Gostava de poder estar mais vezes com a minha família.


Jason Mraz - I Won't Give Up

Obrigada C.!
Pela música. 
Pela conversa. 
Pela esperança.
Mas, acima de tudo, pela amizade.

Dance with me


Snow Patrol - In The End

Não estava nada à espera dum videoclip assim.
Só vem confirmar uma suspeita minha: Adoro este homem de qualquer maneira!
Snow Patrol, até já!  


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” 


Phil Collins - You'll be in my heart

Hoje apetece-me ouvir isto.
Porque adoro Phil Collins e porque me traz memórias do Natal em que recebi o meu primeiro discman (que tanto pedi) e também o CD da banda sonora do Tarzan.

Tesouros





(Estes estão cá em casa)

Adoro postais.
Adoro recebê-los mas gosto ainda mais de enviá-los (é algo que devia fazer mais vezes).
Adoro encontrar postais antigos em feiras ou livrarias antigas mas gosto ainda mais quando esses mesmos postais têm algo escrito atrás.
Gosto de lê-los, gosto de tentar imaginar quem os escreveu, o que sentiam quando os escreveram, a quem eram dirigidos.
São pequenos fragmentos da vida de pessoas que nunca vou conhecer, e que agora estão espalhados pelo mundo, à espera de um novo destinatário. Gosto de os trazer para casa, para mim são tesouros.




Yann Tiersen - Comptine d'un autre été: L'après midi


Yann Tiersen - La Noyée

Love


Gostava tanto de ter uma..
Acho que seríamos muito felizes juntas.



To see a world in a grain of sand 
And a heaven in a wild flower, 
Hold infinity in the palm of your hand 
And eternity in an hour.

Quando nos sentimos tristes, sem razão aparente, ou por todas as razões do mundo, o que devemos fazer?


“There are two basic motivating forces: fear and love. When we are afraid, we pull back from life. When we are in love, we open to all that life has to offer with passion, excitement, and acceptance. We need to learn to love ourselves first, in all our glory and our imperfections. If we cannot love ourselves, we cannot fully open to our ability to love others or our potential to create. Evolution and all hopes for a better world rest in the fearlessness and open-hearted vision of people who embrace life.” 
― John Lennon

O meu olhar é nítido como um girassol



O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro
Fernando Pessoa.

May you stay forever young


John Doe e Lucy Schwartz - Forever Young


Bob Dylan - Forever Young

Uma versão com um dueto e a original.
Adoro :)
Obrigada Bob, pelas palavras, pela voz e pelo sentimento.

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young. 

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young. 

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young. 

Para o J.


Ainda há pouco tive a oportunidade de corrigir o mal que fiz a um grande amigo meu.
Sei que talvez o devesse ter feito mais cedo, que deveria ter lidado com isso logo na altura mas não foi isso que aconteceu porque não era o que deveria acontecer.
Tinha de acontecer agora.
Primeiro, tive de crescer.
Pensar no que é importante. 
Lidar com as consequências das minhas acções.
Não ter medo de tentar fazer o que é correcto.
E foi o que aconteceu. 
Tive a oportunidade, tive medo, mas fui.
Perguntei, falei, a voz tremeu-me e chorei.
Não sabia o que ia acontecer mas isso não me demoveu, prefiro arrepender-me de algo que fiz do que arrepender-me de algo que tive demasiado medo de fazer.
E foi bom.
Uma pessoa que é importante merece saber isso mesmo, merece saber o quão importante é para nós.
Mas vale tarde que nunca. Nunca é que é tarde demais.
Sei que nada muda o passado e o que te magoei.
Só sei que aprendi muito com esta situação e tive de crescer para poder lidar com ela da maneira que devia.
Fico feliz por te ter visto, por me teres ouvido, por ter falado contigo, e por estares bem e feliz :)
Sinto-me bem por o ter feito, sempre o mereceste mas eu não era a pessoa que sou agora.
Ainda bem que tive a coragem para fazer o que acho correcto, o que mereces e o que acredito.
Obrigada J., por tudo.

Invictus




Começar o ano assim é muito bom.
Uma grande lição, uma grande história e um grande filme.
É só preciso acreditar :)

I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Coisas para fazer em 2012 III

Fazer voluntariado:


Fazer coisas que me assustem para ultrapassar medos antigos:


Ver os Snow Patrol ao vivo outra vez :


Ter esperança (sempre):

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